sexta-feira, 11 de setembro de 2009

{em tempos de matar}

Tempos de matar
O que devemos fazer?
Não há como parar,
Não tem pra onde correr.

Policiais e Bandidos
Aliança inevitável
Povos aturdidos
Violência inimaginável

Enquanto nos preocupamos
Em nos defender
Tem gente que amamos
Que morrem sem querer

Mães em maternidades
Têm seus filhos
Que cheios de brilhos
São jogados nas cidades

Bebês em rios são largados
Crianças abandonadas
Tristezas prolongadas
Pelos pais desnaturados

O que há com esses pais?
Pobreza e necessidade? Não
Irresponsabilidade e depressão
O que há com esse país?

Corrupção e desonestidade
Políticos mentirosos
Senados mafiosos
Desorganização e falsidade
População enganada
Esperança minada
Munição e crueldade

“Mensalão” e falsários
Sombras subornadas
Pessoas mal-criadas
Segregação e autoritários
Partidos quebrados
Males mancomunados
Eleição e mistérios

Em tempos de matar
O que iremos fazer?
Não há como parar
Não há onde correr

Não há vidas
Não somos Midas
Pra onde iremos?
Sempre seremos
Destroçados
Prejudicados
Abandonados
Enganados

{enquanto o dia dorme}

Ao olhar o véu estrelado
Ao imaginar formas, imagens
De um futuro lapidado
Vejo mil mensagens

Decifro-as lentamente
E, enquanto meu amor adormece
Sinto o vento serenamente
E de mim, ele se esquece

Quando acordar
Sei que não terei mais
O breve desejo de amar
De alguém que falta faz

Enquanto o dia dorme
Admiro meu amado
Enquanto o dia dorme
Esqueço meu amado.

{querer}

Poderia te dar do céu às estrelas;
uma constelação de luzes
que piscam ao te ver
que anseiam por te ver.

Mas limitado sou
e o que resta é contemplar o céu
em busca da estrela perfeita
que reflita seu ser

Como queria te dar tudo
mas temo que terei de resumir
todos os pedidos e anseios
numa simples frase comum:

Eu te amo!

{quando alguém se torna passado}

Quando se ama,
É impossível não pensar
Que um dia o amor se esparrama
E vira pesar.

Como num livro
Cujas paginas são viradas,
O amor passa num espirro
Assim como as páginas são fechadas.

Páginas que permanecerão na memória
Que existirão na lembrança
Formarão a escória
E iludirão a esperança.