Não agüento mais viver
Na sombra de uma dor:
Dor de paixão, coração
Que reside em mim.
Muitos eu já amei.
Mas muitos já me amaram.
Os que amo, não me amam;
Os que me amam, eu não amo
Coração traiçoeiro,
Aos poucos se torna mórbido
De amar a chance perdida;
De amar o impossível.
O que antes era colorido
Agora me envolve em tons de cinza
Numa espiral doentia
Que me consome, me corrói.
As lindas flores róseas
Enegrecem em minha presença.
Sou a lástima.
A tristeza.
Aos cantos me entristeço.
E minhas lágrimas, minhas sinas
Escrevem o doloroso livro da morte
Cujo autor sou eu.
Em meu braço o carrego
Na esperança de que um dia,
Eu possa queimá-lo, destruí-lo
E tirar a morte de mim.
Os dias passam
E a morte ainda caminha comigo.
Fazendo meus prantos se tornarem negros,
Manchando minha vida.
Sou o isolado, o não amado...
A última gota de um copo
Que está transbordando
De queixas, de males.
Nunca desejei esse destino
Mas o tecido está tecido
E o fio não irá se quebrar
Mesmo que eu tente eternamente.
Como eu queria viver
Mas não posso mais...
Minha sina se cumpriu
E eu, morto estou.
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Um comentário:
Bonita essa! E se livra da necessidade das rimas sem perder o ritmo.
Uma curiosidade: você posta na ordem cronológica ou pode ter alguma mais antiga na frente e uma nova lá pra trás?
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