sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

{réquiem por uma lástima}

Não agüento mais viver
Na sombra de uma dor:
Dor de paixão, coração
Que reside em mim.

Muitos eu já amei.
Mas muitos já me amaram.
Os que amo, não me amam;
Os que me amam, eu não amo

Coração traiçoeiro,
Aos poucos se torna mórbido
De amar a chance perdida;
De amar o impossível.

O que antes era colorido
Agora me envolve em tons de cinza
Numa espiral doentia
Que me consome, me corrói.

As lindas flores róseas
Enegrecem em minha presença.
Sou a lástima.
A tristeza.

Aos cantos me entristeço.
E minhas lágrimas, minhas sinas
Escrevem o doloroso livro da morte
Cujo autor sou eu.

Em meu braço o carrego
Na esperança de que um dia,
Eu possa queimá-lo, destruí-lo
E tirar a morte de mim.

Os dias passam
E a morte ainda caminha comigo.
Fazendo meus prantos se tornarem negros,
Manchando minha vida.

Sou o isolado, o não amado...
A última gota de um copo
Que está transbordando
De queixas, de males.

Nunca desejei esse destino
Mas o tecido está tecido
E o fio não irá se quebrar
Mesmo que eu tente eternamente.

Como eu queria viver
Mas não posso mais...
Minha sina se cumpriu
E eu, morto estou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bonita essa! E se livra da necessidade das rimas sem perder o ritmo.
Uma curiosidade: você posta na ordem cronológica ou pode ter alguma mais antiga na frente e uma nova lá pra trás?